[ISRAEL E PALESTINA] Guerra e Paz – Por Gabriela do Ó

Chocantes as imagens da TV e dos portais acerca à Israel. Escrevo sob o impacto da foto de bebês que nasceram ao som de sirenes, durante os bombardeios de foguetes que partiram da Faixa de Gaza. Elas foram retiradas da maternidade e de seus berços, para um corredor fortificado quando foguetes caíram sobre o hospital.

Pais segurando seus filhos em um corredor de Hospital na Faixa de Gaza, sob intenso bombardeio!

Eles são vítimas do terrorismo!

Como é dura a guerra!

Nós, brasileiros, não fugimos à regra de guerras e insurreições. A nossa história é pontilhada de fatos chocantes.

Ocorreram cenas de truculência contra os bandeirantes na guerra dos emboabas. Filipe dos Santos foi condenado à morte na revolta de Vila Rica. Enforcado, o líder nacionalista Tiradentes, em 1789, na Inconfidência Mineira. Na revolta dos alfaiates (conjuração baiana), a pena capital do enforcamento produziu a cena tétrica do espetamento da cabeça do revoltoso Lucas Dantas, no “campo do dique do desterro”, em Salvador. A guerra dos farrapos (Revolução Farroupilha) colocou em risco a unidade nacional e, em confronto, os exércitos do Império e da República Rio-Grandense.

Na história brasileira ocupa espaço a chamada guerra de Canudos, eternizada por Euclides da Cunha, em seu livro “Os sertões”. Fome, miséria e violência, aliados ao fanatismo religioso, conduziram o Nordeste brasileiro (1896) ao conflito civil liderado pelo beato Conselheiro. Após o cerco, pelas forças do governo, os seguidores do “beato” morreram de fome e sede. O massacre vitimou homens, mulheres e crianças.

Não se pode esquecer a figura notável do Padre Miguelinho, natalense e batizado na Matriz da Apresentação. Ele participou ativamente da Revolução Pernambucana de 1817. Teve gestos nobres. Na véspera de morrer, chamou a irmã para ajudá-lo a queimar os papéis que tinham nomes dos participantes do movimento, dizendo-lhe: “ajuda-me a salvar a vida de milhares de desgraçados”. Como não se pode esquecer das muitas revoltas que marcam, sobretudo, o território Nordestino, tendo a “Revolta de Princesa”, como um grande março político-territorial na Paraíba.

Estes episódios mostram que, na história das nações, há momentos de incerteza, como os de hoje no Oriente Médio. O Hamas trata-se de uma organização nascida para eliminar Israel. Fortemente armada, com sede em Gaza, seus membros têm sólida formação intelectual e recursos financeiros. Assim como o Hezbollah, que ocupa o sul do Líbano, usam a tática de lançar mísseis de áreas residenciais, hospitais, igrejas localizadas em território israelense. Torna-se, por isto, inevitável que a ação antimíssil de Israel termine atingindo tais áreas e matando civis. Jamais houve organização de guerrilha tão perigosa e difícil de ser combatida.

Mesmo diante de nuvens sombrias o mundo sonha com a paz no Oriente Médio. Ninguém deseja que seja verdadeira a exclamação de Glinka, personagem de Tolstoi (Guerra e Paz), ao afirmar que “o inferno deveria ser combatido pelo inferno”, justificando os russos incendiar Moscou, durante a ocupação de Napoleão.

Em todo este quadro, confia-se que Cícero tenha tido razão ao dizer: “Prefiro a paz mais injusta a mais justa das guerras”.

Gabrela do Ó

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