[25 DE ABRIL] A Liberdade está a passar por aqui

Por Wéverton Correia

Cravo. Foto: Universidade de
Coimbra/Reprodução.

Ainda ecoa em meu ouvido, as palavras do professor e amigo, Ângelo Emílio – numa das aulas da cadeira de Introdução aos Estudos Históricos, em meados de 2017, na graduação – quando fazia um paralelo do momento vivido no Brasil à época, com a história de Portugal e a citação da música “As brumas do futuro”, da banda Madredeus.

Aquele comentário trazido pelo professor despertou-me um grande fascínio pela história da Revolução dos Cravos, que aconteceu em Portugal, na década de 70.

Lembro que ao chegar em casa, fui ouvir a música mencionada na aula e li a respeito do acontecimento histórico português, o que gerou em mim uma grande emoção, como estudante, mas também como militante, que nunca deixei de ser.

Em 74, Portugal passava por um período bastante doloroso (comum a todos os períodos marcados por ideais fascistas e de autoritarismo), o qual tivera início nos anos 30, que foi a Ditadura Salazarista.

Nessa época, o criador do regime ditatorial já havia falecido e em seu lugar governava Marcelo Caetano, que deu prosseguimento ao regime infame. Mas em 25 de abril daquele ano, começava a sucumbir o domínio ditatorial salazarista na terrinha portuguesa.

Eis que a profecia que o cantor e ator Sérgio Godinho, exilado com sua esposa no Canadá, havia proferido anos antes, em 1971, ao lançar a música “Maré Alta” no Álbum “Os Sobreviventes”, começava a tornar-se realidade. A música falava sobre liberdade, a liberdade tão almejada por todos os lusitanos (e pelas colônias africanas, que ainda tinham sob seu domínio).

Aprende a nadar, companheiro
Aprende a nadar, companheiro
Que a maré se vai levantar
Que a maré se vai levantar
Que a liberdade está a passar por aqui
Que a liberdade está a passar por aqui
Que a liberdade está a passar por aqui
Maré alta
Maré alta
Maré alta

Letra da Música “Maré Alta”, de Fausto, José Mário Branco e Sérgio Godinho (No álbum, Os Sobreviventes, 1971).

Os ventos da democracia começaram a soprar impetuosos nas plagas de Portugal! A maré começava a levantar-se de fato. Naquele abril, marcharam às ruas os militares do MFA (Movimento das Forças Armadas) contrários ao regime instaurado por Salazar, bem como civis, todos unidos, carregando armas e cravos nas mãos, num ato pacífico, em prol da democracia no país, tendo claro nas mentes, o ideal de que “o povo é quem mais ordena”, como dizia a principal canção da revolução.

Dali em diante, o regime, mesmo com a resistência e repressão, não conseguiria mais manter-se. Foi derrubado, assim como as leis do medo, pelas ondas fortes da Liberdade.

Godinho, autor da canção Maré Alta, mais recentemente, em 2014, durante um de seus shows em Portugal, disse que ao ao escrever a música, a liberdade não estava a passar pelo seu país. Na verdade – segundo ele – não podia nem mesmo cantá-la na sua terra, como o fazia naquele instante. O cantor argumenta que era mesmo a vontade de possuir a liberdade, que o moveu a escrever.

Neste mesmo show, ele cantou outra música, intitulada de “Liberdade”, na qual afirma que “só há liberdade a sério quando houver: a paz, o pão, habitação, saúde, educação. Só há liberdade a sério quando houver liberdade de mudar e decidir, quando pertencer ao povo o que o povo produzir”.

Aqui, das terras de Nossa Senhora das Neves, separado pelas águas do Atlântico e distante 5.743 km de Portugal, comemoro a revolução do país-irmão, ao mesmo tempo em que sinto os ares da liberdade e que sonho e oro – como o cantor – para que a Liberdade passe e floresça como os cravos, por nossa nação, trazendo uma forte maré a nos transformar em um povo realmente livre das amarras imperiais e colonialistas. Que seja de fato e de direito e que venha a nos munir da Liberdade de pensamento e de ação, em prol de um país verdadeiramente justo, menos miserável e democrático sempre!

Viva a Revolução dos Cravos! Viva a Democracia!

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