[LITERATURA] Leandro Karnal lembra aniversário do poeta paraibano Augusto dos Anjos

Historiador lembra como os versos do escritor sapeense o espantavam e causavam admiração nos tempos de escola.

Leandro Karnal. Foto: Reprodução.

Nesta terça-feira (20), o historiador e pensador gaúcho, Leandro Karnal, usou seu Facebook para fazer uma homenagem ao escritor e poeta paraibano, Augusto dos Anjos, em virtude do aniversário do mesmo.

Segundo Karnal, Augusto dos Anjos fez parte de sua formação nos tempos de escola. Ele lembra como os versos de Augusto o causavam espanto com as expressões utilizadas pelo paraibano.

“Lembro-me, na escola, de ficar chocado com o pessimismo seco dos Versos íntimos: “O beijo, amigo, é a véspera do escarro”. Jovens, achávamos que poesia deveria ser sobre flores e amores lindos”

O historiador chama o autor de Eu e outras Poesias de “genial” e ainda recorda como toda a fantasia da juventude era trazida à realidade pelos versos do escritor.

“O paraibano genial derrubava nossa fantasia com “Eterna Mágoa”: “O homem por sobre quem caiu a praga / Da tristeza do Mundo, o homem que é triste/ Para todos os séculos existe/ E nunca mais o seu pesar se apaga!/ Não crê em nada, pois, nada há que traga/ Consolo à Mágoa, a que só ele assiste. /Quer resistir, e quanto mais resiste/ Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga./ Sabe que sofre, mas o que não sabe/É que essa mágoa infinda assim, não cabe/Na sua vida, é que essa mágoa infinda/Transpõe a vida do seu corpo inerme;/E quando esse homem se transforma em verme/É essa mágoa que o acompanha ainda!”

Postagem de Karnal no Facebook.
Foto: Facebook/Reprodução.

Sobre Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos. Foto: AH/Reprodução.

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, mais conhecido como Augusto dos Anjos, nasceu em 20 de abril de 1884, no antigo Engenho Pau D’Arco, hoje, Município de Sapé.

Augusto pertencia à uma família de proprietários de engenhos e estudou o ensino secundário no Liceu Paraibano, na capital da Paraíba.

Em 1907 formou-se em Direito no Recife-PE, nunca tendo advogado. Lecionou Língua Portuguesa e Literatura por um tempo na cidade da Parahyba. Casou-se com Ester Fialho e teve com ela três filhos.

Augusto dos Anjos morou ainda no Rio de Janeiro, onde foi professor de Geografia e onde publicou seu único livro “Eu”, no ano de 1912. Já em 1914 mudou-se para Leopoldina, em Minas Gerais, onde foi diretor de um grupo escolar, mas viria a falecer em 12 de novembro do mesmo ano, com apenas 30 anos, devido à sua saúde bastante debilitada por uma trágica pneumonia.

Sua obra não foi reconhecida pela crítica literária de sua época, que estava apegada ao lirismo e ao parnasianismo. Augusto foi sem dúvida o mais original poeta brasileiro e sua obra até hoje causa muita admiração pelo seu estilo filosófico, extremamente negativo e bastante apegado à morte, a podridão e aos infortúnios da vida.

Augusto dos Anjos é patrono da Academia Paraibana de Letras e da Academia Leopoldinense de Letras.

APL. Foto: Reprodução.

Confira um dos poemas de Augusto dos Anjos

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Redação Gabinete Paraíba

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